Quinta-feira, 31 de Maio de 2007

A suspeição, uma espécie de “Doença Maligna”

A suspeição existe, é um facto e nega-lo seria um erro que, tal como diz o provérbio “seria pior a emenda que o soneto” mas a forma como se está a reagir é grave e contraproducente em relação a uma espécie de “doença maligna” colada às estruturas partidárias.

 

A forma como, também, o responsável máximo do PSD, Dr. Marques Mendes, “tentou resolver” o assunto caiu no dito provérbio. O que se passou em Lisboa foi disso bem demonstrativo.

 

A falta de rigor e transparência, desde logo no financiamento dos partidos, passando pela actuação também transparente e rigorosa de autarcas, gestores de empresas  municipais e publicas, cuja actividade e negocios deveriam ter abundante “publicidade”, tem levado, por vezes com fundamentadas razões, à quase permanente suspeição de tráfico de influencias, de existência dos ditos “sacos azuis”, de constituição de arguidos, de reparos da Inspecção Geral da Administração do Território - IGAT e mais recentemente do Tribunal de Contas.

 

A “doença maligna” está, não só nos sistemas, como e sobretudo nas pessoas, é um defeito intrínseco ao ser humano quando culturalmente o “ter” se sobrepõe ao “ser”.

 

Não será o aparecimento de uma corrente tão transbordante de “puritanos independentistas” que irá resolver a questão de fundo. Não podemos ignorar que nem Carmona Rodrigues conseguiu fazer uma governação minimamente autónoma apesar do seu cunho independentista, nem Helena Roseta conseguiu fazer uma boa governação em Cascais quando foi eleita em representação partidária. Não dão quaisquer garantias de diferença.

 

O que, efectivamente faz falta, para obviar a tais situações, são a determinação de regras claras, rigorosas e transparentes de actuação na vida colectiva partidária e social, bem como de mais rápidos e eficazes mecanismos de fiscalização, se esquecer a existência de uma mais célere agilização por parte dos tribunais.

 

Os partidos têm de ser capazes de fazer uma certa “refundação” interior e comportamental de modo a criarem condições de interligação com os movimentos de cidadãos que vão emergindo neste Mundo de mudanças onde vão ter um papel cada vez maior, até para a valorização da democracia participativa.

 

Veja-se o caso de Lisboa, em que parece claro que nos últimos anos a gestão camarária não tem sido feita em função da satisfação das necessidades dos munícipes ou em criar melhores condições de lazer, habitabilidade e criação de riqueza publica. Não, os projectos têm sido equacionados em função dos interesses dos grupos instalados na Câmara ou de negocios especulativos ligados aos interesses desses grupos.

 

É esta forma de gerir o município que tem de acabar definitivamente e só acabará se as populações passarem a ser intervenientes nos processos, nomeadamente através da intervenção das respectivas freguesias (Assembleias e Executivos) nos debates dos projectos a implementar na esfera da sua jurisdição territorial.

 

publicado por EBranquinho às 11:07
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