Sexta-feira, 26 de Janeiro de 2007

Onde radica a crise que se vem abatendo sobre o município de Lisboa ?

 

A crise que incide sobre o município da capital, muito especialmente sobre o seu Executivo camarário (que se vem agravando dia após dia) tem contornos políticos mas não só.

 

Os contornos políticos advêm da total incapacidade por parte do PSD em ter definido uma clara e coesa composição do grupo de trabalho que propôs ao eleitorado. A força que (des)governa o município de Lisboa está segmentada por diversos e diferentes grupos de interesses: são, por um lado os independentes (?) agregados  aos chamados vereadores de confiança do Presidente Carmona Rodrigues, presumivelmente, a contar com o apoio de Marques Mendes; por outro lado gladia-se o grupo de confiança da distrital do partido que é coordenada  por Paula Teixeira da Cruz a qual terá afirmado não restar outra saída a Gabriela Seara do que pedir a sua suspensão, sob pena do partido lhe retirar a confiança política o que, politicamente seria, ainda, mais grave e insustentável tanto para a própria vereadora como para o executivo presidido por Carmona Rodrigues.

Acresce, também, e não menos importante, o facto de Santana Lopes e seus acólitos não perdoarem a Marques Mendes ter escolhido um independente (ainda que com melhores condições para “iludir” o eleitorado visto que mais credível) em detrimento de um inveterado militante.

 

Contornos políticos efectivamente graves  que são da exclusiva e absoluta responsabilidade do PSD a quem, oportunamente, deverão ser pedidas contas sobre o desgoverno que tem envolto a capital do país. O eleitorado só, em principio, deverá ser chamado a pronunciar-se no fim do mandato visto que a “estabilidade” governativa é, e deve ser, um elemento fundamental da democracia. Quem ganha, como quem perde, as eleições tem de assumir, coerentemente, o seu resultado tanto na governação como na oposição.

 

É ao executivo, quando e se concluir não ter condições de levar por diante o projecto sufragado, a quem compete assumir a convocação antecipada de nova auscultação aos eleitores.

 

Contudo, não basta resolver as questões de natureza política, o problema de Lisboa, assim como do país só serra melhorado, substancialmente, se forem atacados os males de raiz: a corrupção, a falta de rigor e de transparência, a não existência de boas práticas  na gestão da coisa publica que são o vértice matricial do que deveria acontecer nas Câmaras Municipais, nas empresas por elas criadas, no Sector Empresarial do Estado e na sociedade em geral.

 

Clara e inequivocamente que os autarcas não são todos corruptos (haverá um ou outro que aceita vantagens a troco de alguma informação ou de aprovação deste ou aquele projecto). Naturalmente que em Portugal existem bons e competentes gestores (apenas há um ou outro que decide aumentar as suas próprias benesses). Inequivocamente existem muitos políticos profundamente preocupados pela boa gestão da “Coisa Publica”. Todavia a falta de regras claras de “códigos de Conduta” ou “Cartas de Boas Práticas” acabam por transmitir a ideia deturpada mas generalizada de que “são todos uma cambada de oportunistas”.

 

Partidos que tenham como princípios, no seu ideário, as premissas republicanas só têm como caminho a seguir e a pugnar, cada vês mais, por escolher, para os diversos lugares da vida publica, pessoas que já tenham dado provas de integridade moral e intelectual e, concumitantemente, definir regras para o exercício de funções nas quais estejam estabelecidos direitos e deveres bem como sanções, no caso de prevaricação.

 

Haverá para isso a suficiente coragem ? espera-se que sim !

 

 

publicado por EBranquinho às 16:17
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